sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Morre João Benvindo, goleiro da seleção de Juazeiro

 Joao-Benvindo-goleiro-juazeiro

Morreu nesta quinta feira (17/01/2014), o Professor João Benvindo, uma das personalidades mais ativas da recente história de Juazeiro, seja por sua atuação como jogador de futebol nas décadas de 1950 e 1960, ou mesmo por sua função de professor e, ultimamente, por sua incessante luta em defesa de uma sociedade mais justa por meio dos movimentos sociais  com os quais  se envolveu nos últimos anos.

João Benvindo dos Santos nasceu em 1939 e morreu aos 82 anos.  Pertencente a uma família oriunda de Belém do São Francisco e que se tornou tradicional em Juazeiro, ele começou a gostar do futebol por meio do seu padrinho, Cecílio Matos, que o levava aos domingos para assistir os jogos no Estádio Adauto Moraes.

Ainda jovem, começou a jogar pelo Grêmio Circulista Operário entre os anos de 1955 e 1956, ao lado dos irmãos Flamber e Gilfran, Xuréu, Hilton bolão e de Dozinho, entre outros.

João Benvindo conseguiu realizar uma façanha que poucos goleiros fizeram, ser ídolo das duas maiores torcidas de Juazeiro, visto que, defendeu e foi campeão por Veneza e Olaria nas décadas de 1950 e 1960, além de defender a seleção juazeirense em memoráveis confrontos diante de equipes profissionais da Bahia e do Rio de Janeiro a exemplo de Bahia, Vitória, Galícia e Bonsucesso. João Benvindo foi considerado, ao lado de Zé Rapadura, um dos maiores goleiros da história do futebol amador de Juazeiro.

Para se ter uma ideia do potencial futebolístico de João Benvindo, basta nos remeter aos idos de 1960 quando o Bahia que havia conquistado a primeira Taça Brasil em cima dos Santos de Pelé, Zito, Gilmar e tantos craques, jogou em Juazeiro e foi derrotado impiedosamente por três a zero e quem estava fechando o gol da seleção juazeirense era exatamente João Benvindo, sendo ladeado por outros tantos ídolos da cidade. Naquela partida a seleção de Juazeiro foi dirigida por José Dias, o popular SEU BILA, que formou com Benvindo, Tozinho, Raimundo Queixinho, Deltite e Anísio Pinheiro: Talado e Luís Bispo: Zé de Natu, Tucudu, Artur Lima e Dozinho.

Aliás, o bom futebol praticado por João Benvindo chamou a atenção do treinador Gradim do Bonsucesso, um dos bons times do Rio de Janeiro, á época, que  queria leva-lo para o futebol carioca, no entanto, a faculdade de agronomia que estava cursando e a vontade de seu pai o impediram de sair de Juazeiro.

Ainda jovem João Benvindo dividia seu tempo frequentando os grêmios literários e o esporte onde, na quadra de Esporte Alfredo Viana na rua XV de Novembro, praticava futebol de salão, basquetebol e voleibol. Isso, o fez uma pessoa diferenciada, pela sua intelectualidade e, ao mesmo tempo próxima de suas raízes, constituindo-se numa liderança esportiva e no âmbito da sociedade juazeirense.

Ao se formar em agronomia, João Benvindo, optou pela educação e se tornou professor da Faculdade de Agronomia do Vale do São Francisco-FAMESF, da qual se foi diretor.

A aposentadoria, aumentou mais ainda a atuação de João Benvindo, pois,  o seu tempo, a partir daí, passou a ser mais dedicado à defesa das causas sociais, sempre em defesa de sua classe e de sua categoria, sobretudo na associação dos aposentados de Juazeiro que de forma destemida e com sua capacidade de agregar as pessoas em torno de projetos de cunho social ele esteve ao lado de sua gente e contra as injustiças e sempre pela defesa da igualdade, solidariedade e dos princípios de liberdade que o nortearam sempre.

Sem duvidas, o bom João, nos fará falta, mas, seu exemplo nos mostra que o futebol pode mesmo ser habitado por homens bons e honestos e que a luta pelos direitos e garantias constitucionais carece de pessoas inteligentes e desprovidas de qualquer ponta de vaidade, mas com sensibilidade social.

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